09 outubro, 2010

So ladylike...



Depois de uma overdose temática oitentista eis que, aos pouquinhos, o estilo ladylike é a mais nova-velha-novidade que a moda traz pra gente. A inspiração? Donas-de-casa dos anos cinqüenta, com suas amplas saias e meios-sorrisos repletos de pura gentileza.

Era de se esperar, pois a coisa vem caminhando pra isso: tivemos umas boas temporadas sugerindo o retorno de uma boa-moça que também se fazia presente nos anos oitenta, convivendo com as pós-punk emancipadas de jaquetas de tachas e botas oversized. Isso sem contar com o frenesi causado pelo figurino de Mad Men.

Agora nos é sugerido mais do que apenas uma referência: os modelos pra 2011 nos convidam a vestir mesmo a personagem que resgate o que mais houver de boa-moça destro de nós. É um esforço para parecer impecável, o que se traduz em fios de cabelo em seus devidos lugares, tecidos estruturados, estampas românticas e cores de algodão-doce. Isso é claro, desde que você esteja dentro de sais em cujos perímetros você nunca se imaginou.

Se isso pega vai ser difícil montar aquele look minimal no qual as cariocas são campeãs, como quem se preocupa em se vestir parecendo não se preocupar, se arrumando pra parecer desarrumada, sempre.

Acontece que as roupas estão (ou pelo menos deveriam estar) inseridas num contexto histórico, e a mulher de hoje em dia não é assim tão ladylike - as ladies caricatas so amarican way of life se foram. A pompa, a elegância e a delicadeza inerentes até podem ser muito bem-vindas aos dias de hoje, mas é fato, estamos muito distantes dessas bonecas, talvez por mera falta de tempo. Aliás, ficar horas curvando cílios não condiz com a metade dos afazeres da mulher do século XXI. Por mais lindo que o resultado possa ficar, nossa lady mimética afinal, correria o sério risco de se tornar uma Betty Drapper (Mad Men), ou mesmo uma Laura Brown (As Horas). Que triste.

Campanha Vuitton (!)












05 outubro, 2010

Gisele Bündchen foi capa da Vogue Brasil de outubro, em comemoração a seus 15 anos de carreira. Não é bem isso. A capa e os editorias foram a pedido da própria Gisele, que é garota esperta e com espírito mercantilista – não pára de fazer subirem seus bilhões – foram mesmo pra lançar sua marca de cosméticos ecofriendly – a sejaa.

A linha é uma idéia antiga de moça, que parece ter adotado pra si ao pé da letra as qualidades que lhe deram nos anos 90 – musa da nova-geração-saúde, zen e equilibrada - ninguém precisa lembrar que ela fumava naquela época - fazendo um tipo de contraponto às musas esqueléticas-rocker-junkie do estilo heroin chic, que faziam remissão a viciadas e davam o tom dos editoriais da época. Eu, pessoalmente prefiro o charme de Kate Moss, com estilo grunge e descolado e junkie, que casa com astros do rock, não com jogadores de futebol.
Na verdade, Gisele teve muita sorte e muito talento para administrar essa sorte. Sorte de e ter surgido justo quando o Sr. Bill Clinton dava seu pronunciamento politicamente correto a respeito dos editoriais de moda heroin chic, que glamourizava o uso de drogas. A musa-dos-trópicos-de-bochechas-rosadas-com-ar-saudável-e-colorido foi substituindo aos poucos o mínimal em P&B que povoava moda. Certamente o Sr. Clinton não era fã do Kurt Cobain.
Gisele demonstra ser uma mulher bem objetiva – me passa a imagem da objetividade prática daquelas pessoas que não intelectualizam demais – e sua linha de cosméticos é objetiva também – só tem três cremes, cujo apelo comercial é o uso de ingredientes super naturais, orgânicos, eco friendly e tudo o mais que se possa esperar nesse sentido.
No site é explicado o porquê do nome enigmático.

                                                                    

21 setembro, 2010

04 setembro, 2010

Mombojó - Papapa

Meu filho tem exatos 30 meses. nem mais, nem menos. Apesar dessa contabilidade maluca - ele tem em número de meses mais ou menos o que tenho em anos - isso não impede que a gente se entenda bem musicalmente. É claro que isso é meio óbvio, já que eu sou o agente influenciador, tendo em vista o fato de que antes mesmo de seu nascimento eu me preocupava com um repertório adequado.
Isso talvez explique a aversão que ele tem às musiquinhas bizarrinhas dos Backyardgans, por exemplo. Ou que ele peça pra dormir com as músicas do Moldy Peaches e Beirut.
O que me surpreendeu, dessa vez, a independência: dessa vez foi ele quem me apresentou uma banda!
- Mãe, eu quero ouvir a-música-daquela-banda-do-cara-da-geladeira.
- ??????????????
- aquela, mãe, assim, papapapa
- ????????????????
Então me pus a procurar . Descobri que ele tava falando do Mombojó, uma banda de Recife, ele tinha visto na tv o clipe outro dia. O clipe, bastante lúdico, tá concorrendo no VMB e tudo. Gostei.



19 agosto, 2010

Melissa + Gaetano Pesce


Pra mim, melissa é uma coisa no meio do caminho entre peça toy art e calçado. São cheirosas. São de plástico. E colecionáveis. Suas donas normalmente estabelecem com elas uma relação que transcende a coisa-calçado. É um resgate lúdico, perfeitamente dispensável, mas a gente não dispensa.

Depois do reposicionamento no mercado, ultrapassada a fase da abelhinha, a marca investiu marketing e em parcerias com estilistas, designers e artistas plásticos que deram muitíssimo certo - uma das mais inusitadas foi a com a Love Foxxx, vocalista do CSS, com um ratinho.

De início restrita às rodinhas mais fashion, agora esse pedacinho de plástico se popularizou e se internacionalizou. Agora são tipo umas havaianas super-caras (dizem que o custo de produção não ultrapassa R$ 3,00) e super-charmosas.

Em 2008, a parceria com a arquiteta iraquiana Zaha Hadid deu origem a um inacrediável modelo: sapato e conceito e plástico. Dessa vez, o artista foi o aquiteto/designer italiano Gaetano Pesce . Lançada no último fashion Rio, a melissa que ele nos apresenta é cheia de bolhas e é costomizáveL: apresenta-se meio como uma anlke boot, mas pode adquirir outras formas, segundo a criatividade da dona. Segundo Pesce, a idéia é justamente respeitar a criatividade de cada uma. Oh Oh!

15 junho, 2010

Sobre os 80 - parte I

Todo mundo sabia que, mais cedo ou mais tarde, a moda 80’s voltaria. O que eu não sabia é que duraria tanto tempo. Fashion Rio veio e foi e, por mais que especialistas falem na volta minimalismo, o que se vê é a afirmação cada vez maior da estética oitentista.

E, se de alguma forma isso é lamentável, por outro, é cômico e cômodo. Para as nascidas antes de 1985, pode soar meio bizarra a idéia de usar peças com tantas referências totalmente over - isso porque quem cresceu nos anos 80 habituou-se a ver suas mães enfiadas em roupas e acessórios que, sob o prisma minimalista que dominou a década seguinte, mais pareciam fantasias. E, de certa forma, são mesmo. Essas pessoas, que definiram sua identidade visual nos anos 90, de início tiveram certa resistência diante de tanto excesso. E, mesmo agora, que a tendência parece ter ganhado ares mais populares, ainda temos nossas reservas e aquelas peças pra quem dizemos: “nem morta!” – no meu caso isso se aplica aos tênis acolchoados de cano alto, ao justo de manga presunto e às maxicorrentes douradas, por exemplo.

Mas a geração pós 90 simplesmente não tem aquela referência de poluição visual dos 80 porque nessa época essas pessoas não existiam, ou estavam nascendo. Então, vêem nessa moda algo de novo – talvez um pouco subversivo. Assim, enchem-se as ruas da moda quase-tudo-pode, lúdica e até meio cômica, e meio cômoda, já que tudo pode. Alerta: nem tudo pode para todas, sorry.

Hoje entendo quando falam que essa estética é mais democrática que a minimalista, que exige silhueta enxugada e uma impecabilidade extrema, pois as linhas retas e poucos acessórios nos deixam em evidência. Já o guarda-roupa superover de hoje tem manhas e macetes que jogam a atenção para as cores e volumes e estampas e acessórios que gritam e berram e falam per si. Isso é divertido, dá pra brincar mais, mas facilmente pode nos fazer cair na bizarrice. Se eu tivesse cara-de-pau suficiente, eu sairia pelas ruas fazendo uma espécie de sartorialist às avessas, onde fotografaria a interpretação bizzarra que as pessoas dão ao que se vende nas lojas. É triste.

Em “O Essencial”, guia de estilo lançado por Constanza Pascolatto em1999, as referências dos anos 80 soam tão absurdas que, ao ler, a gente teve certeza absoluta que isso nunca, mas nunca mais mesmo voltaria à moda. O mesmo ocorre no “What not to Wear”, (livro do esquadrão de Trinny e Susanah). Mas quem não é boba sabe, você nunca deveria ter dito “desse wayfarer nunca usarei”.

Dizem as más línguas que essa enxurrada fashion surgiu por uma jogada da indústria da moda, ameaçada diante da crise mundial. Voltar com o luxo seria a solução, pois quanto mais mais, mais se gasta e.

Além disso, roupas mais mais têm mais detalhes, o que as tornariam meio que imunes à pirataria. E de penduricalho em penduricalho, a indústria enche o bolso. Resta saber se as meninas vão ser verdadeiramente fiéis e sair por aí com sobrancelhas-taturana.

23 maio, 2010

Schiaparelli

o chapéu-sapato e o vestido-lagosta


Pra começar essa trajetória Pink, nada melhor que falar um pouco de Elsa Schiaparelli.

Quem??????????????

Elsa foi a criadora do Rosa Choque. Contemporânea a Chanel, Schiaparelli trilhou um caminho bem diferente. E o resultado foi que, enquanto a Chanel se tornou a “mãe do terninho”, Shiaparelli, pode-se dizer, é a mãe da moda alternativa, da pop-art clothing.

Muito menos preocupada com a funcionalidade que com a arte em si – Chanel definitivamente libertou as mulheres de espartilhos-instrumentos-de- tortura, vestidos com infinitas anáguas e chapéus que precisavam de duas a três pessoas para colocar, criando uma moda enxugada e funcional – Elsa defendia um mix indispensável entre moda e artes plásticas. Ao contrário de sua contemporânea, que veio praticamente da sarjeta, Elsa provinha de família de renome, e tinha formação acadêmica em Filosofia. Talvez dessa coisa de não levar as coisas muito a sério – sobretudo a si mesma – tenha vindo toda essa liberdade de pensamento e criação: as despreocupações de uma menina rica contra a austeridade daquela que precisava vencer na vida. Juntando tudo isso dá mais ou menos uma prévia de todo vestuário feminino nos últimos cem anos.

Mas foi o envolvimento com os movimentos de vanguarda do início do século passado e seus artistas, sobretudo o surrealismo de Dalí que serviram de base para sua moda escandalosamente exótica.

Daí surgiram os vestidos-lagosta, a bolsa-telefone e o chapéu sapato (esse último até bem usável, se comparado à chapelaria bizarra da época). Mas não é só isso: sabe aquela estampa do “New York Times”, do “Le Monde”? Ela foi primeira a criar estampas de jornal. Sabe aquele efeito tromp l’oeil, das estampas do século passado que voltaram agora, tipo camiseta com estampa de espartilho, colares e bolsos desenhados na roupa? Isso é só uma pequena demonstração da moda bem-humorada e zero careta criada por Schiaparelli, coisas que se consagraram tanto até cair no banal. E coisas que não caem no banal por não serem nada usáveis, são esteticamente conceituais – afinal, não é pra se sair por aí com uma bolsa-telefone!

Isso é entrar pra História. O legado não foi só no vestir, pois se trata de toda uma mudança do papel da mulher na sociedade.

No ano passado, houve vários desfiles impregnados de surrealismo, uma homenagem a Schiaparelli. Acho justo, já que ela permaneceu ofuscada pela Chanel (se bem que tem gente que não sabe se Chanel é homem ou mulher, enfim).

E, mesmo que você não concorde com absolutamente nada que eu disse, vai gostar do site: http://www.schiaparelli.com/ - eu juro que levei um susto quando o cachorro latiu!